Como se me alonga de ano em ano
A peregrinação cansada minha!
Como se encurta e como ao fim caminha
Este meu breve e vão discurso humano!
Vai-se gastando a idade e cresce o dano;
Perde-se um remédio que inda tinha;
Se por experiência adivinha,
Qualquer grande esperança é grande engano.
Corro após este bem que não se alcança;
No meio do caminho me falece;
Mil vezes caio e perco a confiança.
Quando ele foge, eu tardo; e, na tardança,
Se os olhos ergo, a ver se inda parece,
Da vista se me perde e da esperança.
Soneto 57, Luís de Camões
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