18 agosto, 2005

Bosque da solidão

E novamente a madrugada surge.
Um suspiro mórbido se espalha.
A noite fria como um túmulo de vozes caladas, me cobre com seu manto.
Espíritos vagantes embalam corpos adormecidos.

Folhas sonoram as copas das árvores no balançar obscuro da floresta.
Essa noite a lua minguante quase não se vê.
Apenas uma fresta de luz.
Os amantes não saíram para passear.

Enquanto o calar do tempo passa...
Deixo meus pensamentos flutuarem livremente pelo bosque da solidão.
Alimento-me de sonhos e desejos ao relento.
Lívia Rangel
Outubro de 2002

29 julho, 2005

Estação das chuvas


Um poema que não valha a pena.
Uma virtude que te condena.


E no espelho uma miragem...

Um cristal tão puro,
que não quebre a cura de todo mal.


Numa febre... pedir ao maestro que não parem.
Contra a corrente, mesmo errado, começar a crer.


Que haja culpado.
Para que a saudade te revelace.


Na esquina, onde os olhos cerram...
Continuar aquilo que nos disseram.


Beijar sem jeito a tua face.


Um sopro quente enfrenta o tédio,
Quando não preciso de remédio.


E que esse trago não me cale...


Sorrir para conter o sufôco,
esperar a forra e negar o sôco.


Ver o fascínio... onde a poesia vale.


Então, me acompanha um sorriso.
Por trás da foto teria um aviso,
que só a coragem pode apagar.


Numa noite que o acaso venha,
não prever nada que entervenha.
Quando se tem algo para eternizar.

por J. Wilquens Dantas

29 de julho de 2005

Janela da Alma

Sentada à beira da janela,
Vejo um novo dia nascer.
Emanando a paz que me acalma,
Permito-me flanar...


Lembrando de um passado reticente,
Sinto um furor diferente.


Velhos amigos rodam meus pensamentos,
Mas apenas uma sensação invade o meu pensar.

Vivendo dia a dia, cada momento...
Respiro a tua essência, sem hesitar.


Jovens mentes inquietas.
Unidas em corpos e momentos explosivos...
Palavras transpiram a descoberta...
De um querer resguardado e ainda vazio.


De mãos dadas, caminhamos só...

Sem pensar no futuro...
Fecho os olhos e sigo em frente.
Semeando no agora...
Um sentimento puro, diferente.




Lívia Rangel
18-07-2005

27 junho, 2005

A chave do segredo


Abro asas ao desconhecido;
E sem sentir...
Entrego a chave e o segredo.

Ainda não te conheço.
Nem compartilho seus mistérios e fantasias;
Mas quando fecho os olhos...
É você quem surge.

Sigo lentamente a minha jornada...

E sem amargurar o futuro,
inspiro a brisa que me convida a seguir.

Mergulhada no meu inconsciente...
Exponho-me novamente...

O sentimento aqui impresso
É apenas um convite;
Uma passagem;
Uma porta aberta;
Lívia Rangel
09-06-05

19 junho, 2005

Frio no Verão



Meses se passaram...
Cartas envelheceram
Fotos se perderam
Juras morreram.

Sentimentos renovados
E as sensações vividas
Ficaram resguardadas
Para todo o sempre...

Este ano... o inverno surgiu no verão.
E para vencer a solidão
Que insiste em me guiar,
Fecho os olhos...
E apenas lembro...

Assim... resolvi transcrever
a releitura perfeita
Que agora ganha forma em outra freqüência.

Hoje...
Eu vim aqui trazer
O peito aberto,
A cara marcada,
A mente embriagada,
De esperança e fé...

Amanhã
Fecharei os olhos
E apenas lembrarei...

Lívia Rangel
10.02.2005

17 junho, 2005

Tabuleiro

Basta desse jogar 
Entregue as armas 
O tabuleiro para atacar

A ampulheta vai virar
A batalha é de partidas
Ilusões a apreciar

Lívia Rangel

16 junho, 2005

Ao mestre com carinho

Como se me alonga de ano em ano
A peregrinação cansada minha!
Como se encurta e como ao fim caminha
Este meu breve e vão discurso humano!

Vai-se gastando a idade e cresce o dano;
Perde-se um remédio que inda tinha;
Se por experiência adivinha,
Qualquer grande esperança é grande engano.

Corro após este bem que não se alcança;
No meio do caminho me falece;
Mil vezes caio e perco a confiança.

Quando ele foge, eu tardo; e, na tardança,
Se os olhos ergo, a ver se inda parece,
Da vista se me perde e da esperança.

Soneto 57, Luís de Camões

15 junho, 2005

Marcelo (In Memorian)


Lembro de te ver nascer
Lembro de te ver brincar
Lembro de te ver sorrir
Lembro de te ver chorar

Lembro de te ter amigo
Lembro de te ver querido

Lembro da luz do seu olhar
Lembro da doçura em seu falar

Lembro das brincadeiras de criança
Lembro da boneca de porcelana
Lembro das conversas malucas
Lembro do teu sorriso

Lembro do teu abraço
Lembro dos reencontros
Lembro da saudade

Lembro de lembrar
Lembro de sonhar

Lembro da maturidade chegando
Lembro de seguir nos afastando
Lembro do seu encanto

Lembro da estrada da vida se abrir
Lembro de um acidente me partir

Lembro de sentir a partida,
Lembro que ainda arde a ferida



Lívia Rangel - 28/06/05

09 junho, 2005

Poison


Duas faces,
Um só tempo.

Mergulhei na fonte do prazer


Lívia Rangel
21-03-05